Lubango: Suicidaram-se Quatro Jovens

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Publicado a 14 Dec 2010 sob Destaque de Primeira Página

Quatro Jovens sinistrados das demolições na cidade do Lubango suicidaram-se em Tchavola e Tchimucua onde se encontram reassentados em situação deplorável.

A acção psicológica resultante da falta de resposta da parte do Governo em relação as residências demolidas, o distanciamento da escola a Tchavola e Tchimucua, onde residem e outros constrangimentos sociais, esta na base da decisão de pelo menos quatro jovens que preferiram antecipar partir para a eternidade, segundo revelações das famílias e amigos dos falecidos jovens.

A par desta situação, segundo as comunidades que falaram para a Voz de América, semanalmente morrem velhos e crianças, em consequências das condições desumanas oferecidas a população pelo governador da Huila Isaac dos Anjos. A frustração da população aumenta cada dia que passa, as promessas do consulado de dos Anjos, em ajudar as comunidades erguerem suas residências, não passaram de mera falsidade.

Madalena Tchitungo testemunha a sua vizinha de sessenta anos que se atirou ao fogo depois de se ungir petróleo e faleceu. Francisco do rosário, Testemunhou igualmente o suicídio de um jovem por enforcamento. ”O jovem deixou uma carta no bolso, dizendo que já não aguentava a batida do Governador. Não me deram o que prometeram, não nasci para sofrer, lê-se na carta”.

Outros dados apurados pela voz de América naquelas comunidades e confirmadas pelos activistas dos direitos humanos em retiro na cidade do Lubango prendem-se com o suicídio de uma menina estudante universitária e três rapazes estudantes do ensino médio, cuja as idades não foram reveladas.

O Director da Open Society, pastor Elias Isaac, lançou um repto ao Governo Angolano, aos Deputados a Assembleia Nacional e a Sociedade civil angolana, para se para travar a onda de suicídios de jovens, resultante da frustração provocada pelas políticas condenáveis da governação da Huila, de igual modo conferir dignidade a este povo que morre todas as semanas sob o olhar sereno e silêncio da comunicação social pública da Huila.

O Activista duvida haver vontade deliberada do Governo angolano em criar condições para o suicídio da população no caso, mas acredita no facto de que aquela juventude está a suicidar-se devido as políticas incoerentes da Governação da Huila. ”O povo votou em massa e hoje existem deputados no Parlamento, Angola é um país democrático e não se pode permitir o que se esta a passar na Huila, de forma reiterada, que haja vozes dos representantes do povo, na mudança de atitude de governação”, lamentou Elias Isaac, activista dos direitos humanos.

A Voz de América, constatou nos dois Campos de reassentamento dos sinistrados das demolições da cidade do Lubango, a imposição das sentinelas que vigiam as comunidades que exprimem o que sentem, muitos, ainda assim fogem a disciplina e exprimiram o que lhes vem na alma.

Constatou-se igualmente que um número elevado de crianças perdeu o ano lectivo 2010, violando os onze compromissos assumidos internacionalmente pelo Governo angolano na protecção da criança. Mulheres chefes de família e geradoras de negócios, entraram em falência, complicando ainda mais a situação de pobreza. Maioria dos sinistrados das demolições do Lubango, de Março do ano em curso, bisam a proeza de triste memória, portanto, pela segunda vez enfrentam as chuvas ao relento no matagal de Tchavola e Tchimucua.

Escute a noticia  MP3

Fonte: Voz da América – Português


Comentários recebidos: 1

  1. Desânimo, suicídio, falência dos pequenos negócios de sobrevivência, frustração por não verem cumpridas as promessas de apoio ao realojamento, impossibilidade de prosseguir estudos são efeitos previsíveis do desalojamento e deslocação forçada que têm autores e que devem ser responsabilizados por esses crimes, pois afinal são isso mesmo, CRIMES.

    A situação permanece e o seu rosário de efeitos predadores dessa comunidade humana podem continuar a suceder. É urgente que quem tem essa obrigação, o Governo, intervenha com urgência para que altere o curso da desgraça em que essas comunidades foram precipitadas.

    EXIGE DIGNIDADE


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