Archive for July, 2011

Solidariedade em concorrência por rendimentos políticos, por favor, NÃO!

Posted 29 Jul 2011 — by Luiz Araújo
Category Direitos Humanos - Comunidades

 

Mensagens que recebi  e cujas fontes não revelo porque creio e espero que vão mudar de atitude mas que no entanto me obrigam a esclarecer que para mim a solidariedade é mesmo apenas pela solidariedade com quem dela necessite. Quando assumo iniciativas ou me associo a acções de solidariedade não estou em concorrência por um lugar de liderança dessas correntes de solidariedade. Nem a solidariedade é para mim um trampolim eleitoral pois não pertenço a partido nenhum nem sou candidato a nada.

A solidariedade não o é quando alguém pretende monopoliza-la visando visibilidade política como rendimento. O rendimento da solidariedade deve ser só a ajuda que dela resulta para quem ela é dedicada, esse é o meu entendimento sobre a natureza, o sentido e o rendimento da solidariedade.

Estou aberto para a abordagem doutros entendimentos que se possa ter sobre a solidariedade mas não em mensagens privadas. A solidariedade com vitimas dum regime para o ser efectivamente tem que ter necessariamente caracter de acção pública e, portanto, todos os seus aspectos devem ser abordados abertamente.

Não tenho qualquer vínculo que me subordine a nenhum comando político partidário de ninguém, sou livre e efectivamente apartidário e pacifista, é com esse pensamento que tenho agido e a prática a que me tenho dedicado é disso demonstração bastante.

Nunca pretendi que as iniciativas que tenho sejam únicas considerando que outras iniciativas não devam ser promovidas pelas mesmas causas nem nunca agi dalguma forma e nalguma medida para impedir ou julgar iniciativas de solidariedade de ninguém. Ao contrario, considero que quantas mais iniciativas por uma causa melhor será porque ampliarão o movimento por essa causa. E quando me envolvo numa iniciativa de solidariedade e outra que lhe seja complementar decorra e ou seja iniciada apoio-a e associo-me a ela subscrevendo-a se está aberta a esse procedimento e publicito-a ao máximo possível. Essa forma de ser e de estar em solidariedade não é só um discurso está documentada em vários casos que tiveram lugar nos últimos anos.

Em meu entendimento as pessoas são livres de se associarem a iniciativas de outros ou não mas, considero que quando se associam é bom que seja às iniciativas pelo que valem e visam e não por quem as promove.

Se queremos realmente que a cultura e a prática da solidariedade  cresça no nosso país não devemos transforma-la em movimento visando rendimentos que não sejam aqueles que consubstanciem a ajuda que ela promove em beneficio de quem dela necessita.

As acções solidariedade nas circunstancias que nos são impostas pelo regime de JES/MPLA têm alcançado níveis muito baixos de adesão e abrangência devido ao facto das cidadãs e cidadãos pelas mais variadas razões se inibirem, especialmente, devido ao medo de serem vitimados por represálias do regime. Se a esses factores se combinar a percepção da solidariedade visar rendimentos políticos partidários não se estará a contribuir para a generalização da cultura e prática da adesão das cidadãs e cidadãos a acções de solidariedade.

Sejamos capazes de apoiar, enaltecer, subscrever e publicitar todas as acções de solidariedade com vítimas do regime de JES/MPLA – mesmo se são iniciativas de pessoas ou de instituições a quem não nos vincule nenhum laço de pertença e ou que mesmo possamos ter como adversários políticos.

Solidariedade em concorrência por rendimentos políticos, por favor. não!

EXIGE DIGNIDADE COM DIGNIDADE

ALERTA – Anunciadas novas demolições no Lubango

Isto nunca mais

Isto - NUNCA MAIS!

ORIENTAÇÕES PARA A DENUNCIA PELA DEFESA DE VÍTIMAS DE VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS QUE, EVENTUALMENTE, OCORRAM NO LUBANGO CASO SE REALIZEM AS DEMOLIÇÕES ANUNCIADAS

Caso as demolições que estão a ser anunciadas sejam realizadas e se verifique o desalojamento forçado sem que seja seguido do alojamento condigno imediato de quem quer que seja os defensores dos direitos humanos devem e vão estar prontos para registarem o acto e divulgarem-no imediatamente.

Defensores dos direitos humanos e as próprias vitimas devem registar, fotografando, filmando e gravando tudo o que lhes for dito por quem dirija e ou execute os desalojamentos forçados. As próprias pessoas visadas pelas demolições, mesmo com os seus telemoveis, devem fotografar e filmar tudo o que puderem. Devem nesses registos identificar com rigor vitimas e violadores dos direitos humanos.

Imediatamente após terem feito esses registos (fotografias e vídeos) devem procurar apoio de quem possa transferi-los para computadores para serem colocados no youtube e, de imediato, divulgados pelos sites dedicados à defesa dos direitos humanos como este nosso www.angolaresistente.net e também ser divulgados nas redes sociais como o Facebook

Para nos enviarem informações e ficheiro com fotografias e gravações em vídeo podem contactar-nos escrevendo-nos mensagens na caixa para comentários sobre esta noticia no fim desta página e ou escrevendo para o e-mail sos.habitat.angola@gmail.com.

Apelamos a quem no Lubango visite esta página do nosso site informe os moradores da zona visada para demolição sobre o aconselhamento que aqui prestamos. Considerando a grande exclusão cibernética que se vive em Angola, pedimos a quem tenha acesso á net que ajude as vítimas a entrar em contacto connosco e ou a divulgar na net e por via doutros sites tudo o que se passar e testemunharem . O Editor do www.angolaresistente.net estará em prontidão para entrevistar via Skype tanto defensores dos direitos humanos activos no local como vítimas de desalojamento forçado logo que receba mensagens nesse sentido enviadas para este nosso/vosso site  -  Luiz Araújo

Autoridades prometem ajuda aos desalojados mas habitantes dizem que nao têm tempo para construir novas casas

A província angolana da Huíla poderá registar nos próximos dias novas demolições de casas.

A medida vai abranger parte do bairro Dr. António Agostinho e surge da necessidade de abertura da Avenida Salvador Correia no âmbito da requalificação da cidade, dizem as autoridades do Lubango.

Os moradores foram notificados a 29 de Junho passado para abandonarem a área no espaço de trinta dias e muitos estão inconformados com a decisão.

Para eles uma decisão de tamanha envergadura carece de ponderação porque está em jogo a movimentação de várias famílias, conforme fez saber Paulo Afonso um dos residentes.

“Se alguém comprou este bairro – visto que já foi sinalizado todo o bairro – então que alguém se pronuncie, se eles venderam o bairro, que nos dêem mais tempo para retirarmo-nos do local não é assim dessa maneira,” disse.

As autoridades garantem que os moradores a desalojar vão receber terrenos nas novas urbanizações. A Voz da América sabe que até ao momento nada foi feito neste sentido.

António do Nascimento outro morador diz que não é possível construir uma casa em trinta dias.

Para Nascimento os responsáveis pela acção, não tiraram lições dos erros cometidos nas demolições passadas.

“ A habitação é uma responsabilidade do estado juntamente com as entidades privadas,” disse este morador para quem “é preciso que salvaguardemos os direitos humanos”.

“Não façamos como se fez o ano passado. Nós esperávamos que com aquelas demolições do ano passado tivessem ganhado mais consciência em termos de respeito aos direitos humanos, vê-se que é uma clara evidência duma ditadura política e estamos indignados com isto,” acrescentou.

Fonte:  Voz da América

Dezenas de jovens detidos após tiroteio em Cabinda

Posted 26 Jul 2011 — by Luiz Araújo
Category Direitos Humanos - Comunidades

Ambiente de “terror” num orfanato após tiroteio e prisões, durante visita de diplomatas europeus. Desconhece-se se houve feridos

Cerca de 30 jovens foram hoje detidos pela polícia angolana quando tentavam falar com uma delegação de diplomatas da União Europeia que se encontra de visita ao território.

Durante os incidentes a polícia angolana teria feito uso de armas de fogo que instalaram o “terror” no orfanato católico Betânia onde se efectuaram as prisões, disse Marcos Mavungo activista dos direitos humanos em Cabinda.

Mavungo disse que cerca de 30 jovens podem ter sido detidos pela polícia após uma troca de tiros.

Entre os detidos encontra-se Alexandre Cuango que já havia sido anteriormente preso.
Cuango disse que “activistas” ter-se-iam deslocado ao orfanato onde a delegação da UE estava reunida com membros da sociedade civil “quando foram surpreendidos por um forte contingente de polícia, de tropas que começaram a fazer fogo”.

“Muitas crianças desmaiaram e fala-se também de feridos,” disse Mavungo que acrescentou  não saber o paradeiro dos detidos.

O padre Casimiro Congo confirmou em separado a ocorrência de detenções na Betânia mas disse que pelas suas informações o numero de presos era de  “16 ou 17”.

O Padre Congo disse que os detidos teriam sido conduzidos para uma esquadra na Rua Papangoma acrescentando não saber se os jovens vão ser libertados ou se serão formalmente acusados de violar alguma lei. (ouça aqui as declarações do Padre Congo).

Cabinda Padre Congo

Alexandre Cuango disse que o ambiente no orfanato era de “terror” resultado de uma acção “incompreensível”.

A delegação da EU chegou Segunda-feira a Cabinda e tinha já mantido encontros com governantes e membros da sociedade civil.

Fonte: VOA

Lições para a Cidade do Kilamba

Posted 24 Jul 2011 — by Luiz Araújo
Category Política, Economia, Cultura & Sociedade

Por Sousa Jamba

Em Maio, estive na Zâmbia, onde assisti a uma conferência de desenvolvimento da província noroeste deste país, que faz fronteira com Angola. Aquela província tinha, de repente, passado a ser uma região com vastas reservas de cobre e outros minerais, e os indígenas queriam que uma boa parte das receitas vindas destes recursos permanecesse na sua zona.

A certo momento, alguém levantou-se e disse: «Temos que seguir o exemplo de Angola. Em Angola hoje há cidades melhores que Nova Iorque!». O homem pegou numa imagem da Cidade do Kilamba e disse a todos: «Isto aqui não é nos Estados Unidos; isto é Angola! Vocês sabem porque é que quando os angolanos batem com o murro na mesa e os brancos tremem? Os angolanos quando compram aviões não compram avionetas da Checoslováquia que andam com petróleo; eles vão à Boeing e dizem: ‘Queremos vinte dos vossos últimos aviões já, senão, vamos para a Airbus’. Temos de aprender sonhar alto como os angolanos!».

Notei, durante a conferência que a publicidade que o governo de Angola tinha encomendado na CNN – Luanda com ruas limpíssimas e atraentes graças a efeitos especiais de computadores – tinha marcado mesmo muita gente. Na quele meio zambiano, Angola era vista como um país para se admirar.

Depois, durante a mesma confe rência, uma senhora levantou-se e disse que Angola era exactamente o exemplo que a província noroes te da Zâmbia deveria evitar. Uma das coisas que sempre admirei nos zambianos é a sua abertura de espírito: os participantes na conferencia ouviram atentamente a senhora que estava a fazer críticas duras ao governo angolano, tomando notas e, no fim, fazendo-lhe ainda mais perguntas.

A essência do argumento da senhora era de que certos aspectos do desenvolvimento actual de Angola baseavam-se mais num desejo de querer dar nas vistas, sem cuidarem de elaborar uma profunda avaliação da sustentabilidade, a longo prazo, de tais projectos.

Na semana passada, falou-se muito, em vários canais da diáspora angolana, da nova cidade no Kilamba Kiaxi. Ao ver imagens e ouvir sobre esta localidade, lembrei-me da intervenção da senhora zambiana naquela conferência.

Há muito que os angolanos poderiam mesmo aprender dos zambianos. De 76 a 1984 vivi na Zâmbia. Em Lusaka, morávamos sempre nos bairros mais pobres – Marapodi, Kaunda Square, Mutendere – onde alugávamos quartos, sendo as casas de banhos partilhadas por centenas de pessoas. Eram locais onde a música alta não parava de tocar, onde o cheiro de repolho a ser cozinhado mistu rava-se com o cheiro de esgotos. O meu sonho era um dia poder sair daquela fetidez. Sonhávamos com o Kabwata Estate, um bairro cons truído para profissionais médios – professores, contabilistas, oficiais do exército, etc.. O Kabwata Esta­tes era tão atraente que havia mesmo pessoas que chamavam aquilo de Berverly Hills da África – Bever ly Hills é uma zona em Hollywood onde certas vedetas vivem.

Naqueles dias, o governo municipal de Lusaka fazia tudo para garantir que os jardins públicos e as estradas fossem bem cuidados. Lembro-me que havia famílias que viviam nos nossos bairros horríveis que iam ao fim-de-semana passar algum tempo nos parques do Kabwata Estate. Para muitos de nós, isto era um outro mundo bastante agradável.

Estive ausente da Zâmbia por quase vinte anos; ao regressar a Lusaka, tive um verdadeiro choque quando, perto do Instituto Nacional de Administração Pública, as casas que eu sempre admirei, construídas no estilo «bungalô», haviam desaparecido. Lembro-me que havia vezes, durante a minha infância, que ia naquela área só para a apreciar as casas feitas por gente que acreditava que uma residência poderia, também, possuir qualidades estéticas. Onde existia relva e flores havia agora lavras de batata-doce. É que essas casas tinham sido construídas para quadros superiores que tinham na mente que teriam empregados; havia, então, uma secção para empregados. Os empregados trouxeram, então, as suas numerosas famílias que, para sobreviverem, começaram mesmo a cultivar no parque. E onde havia narcisos amarelos passou, de repente, a haver plantações de mandioca. Na vizinhança havia, agora, o que os zambianos chamam de «ntembas» ou peque na lojas, tipo quiosques, onde se vende massa de tomate, pastilhas, sardinhas, cremes para clarificar a pele, preservativos, antibióticos, cartões para telefones celulares, entre outras quinquilharias.

O Kabwata Estates tinha, também, se transformado numa autêntica aldeia desorganizada. A certo momento, o governo municipal de Lusaka vendeu as casas aos seus inquilinos a um preço muito baixo. Isto era uma forma do partido no poder, o MMD, angariar votos. Os donos dessas casas deixaram de cuidar delas. O que era um bairro requintado transformou-se em algo altamente desagradável.

Lembro-me que quando vivíamos em Kaunda Square, havia a tradição de se festejar o momento em que uma menina começasse a menstruar (ukuwa ichisungu, como se diz). Esta cerimónia resultava em batucada e dança que durava toda a noite. Os que gostavam de beber na nossa área tinham sempre uma escolha – havia as cerimónias de chisungu e os óbitos. Na Zâmbia, a noção de «pato» não existe; todos eram bem-vindos para comer e beber. Os zambianos que viviam no Kabwata Estate – professores, oficiais do exército, al­tos funcionários públicos etc. – já  não se davam a essas cerimonias com as suas batucadas nocturnas. Para eles, antes as festas tinham de ser feitas num salão como a Nakatindi Hall. Hoje, na KabwataEstate, há batucadas nocturnas. Os lindíssimos apartamentos do passado estão degradados; onde havia janelas de vidro passou agora a haver papelões. Os jardins já não existem. E há lavras por todo o lado. Muitas casas não são pintadas há anos. O alcatrão já não existe em certas estradas que estão cheias de buracos.

Numa noite, quando estive recentemente na Zâmbia, levei de carro o meu amigo que estava bêbado ao edifício em que vivia no Kabwata Estate. A esposa dele, que estava a me dar instruções ao telefone, disse-me para eu parar mesmo em frente do edifício perto da entrada porque a lavra de milho que havia por lá era perigosa já que certos gatunos se escondiam nela para assaltarem as pessoas. Isto no Kabwata Estates, local em que, em 1979, era tão chique que até directores de grandes multinacionais viviam lá. Espero que a Cidade do Kilamba, da qual se está a falar tanto, não ser transforme, eventualmente, num Kabwata Estate.

Temos aqui, porém, uma coisa que não é tão desagradável. Os bens sucedidos na Zâmbia evitam locais como o Kabwata Estate e vivem agora em vivendas com vastíssimos terrenos. Em Lusaka, passei uma tarde com a senhora Maureen Delhi Bhuku, que foi amiga da minha falecida irmã, a Noémia, com quem cresci na Zâmbia. A Senhora Maureen vivia no Kabwata Estate, mas agora tinha deixado aquele bairro e comprado uma vastíssima vivenda em IbexHill, perto da gigantesca embaixada americana.

Na vivenda da Senhora Maureen, havia relva, muitas flores, e um jango lindíssimo. O jardineiro da Senhora Maureen tinha muito orgulho no seu trabalho. Ela disse-me que muitos casais jovens gostavam tanto da vivenda dela que vinham lá para casar; outros vinham só para tirar fotografias, já que havia lá um ambiente que não parecia ser africano. A senhora Mau reen disse-me que havia muita gente que queria alugar os anexos na sua vivenda, mas que sempre se recusou porque queria evitar o fenómeno do Kabwata Estate, em que uma zona com bastante qualidade se transformou num bairro de grande confusão.

Fonte: Facebbok, com a permissão do autor o que, aqui, o angolaresistente.net muito agradece.

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