Archive for the ‘Destaque de Primeira Página’ Category

Newshold: o silêncio é a arma do negócio?

Posted 30 Jan 2012 — by LuizAraujo
Category Destaque de Primeira Página

A RTP acabou com o espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola. Imagem Artigo 21º
A DEMOCRACIA PORTUGUESA JÁ ESTÁ E VAI, OBVIAMENTE, SENTIR MAIS E MUITO MAIS FORTES INCIDÊNCIAS DO CONVÍVIO COM A DITADURA EM ANGOLA DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS – angola resistente
DOSSIER | 29 JANEIRO, 2012 – 00:34Há uns anos, o ex-deputado laranja Agostinho Branquinho perguntou numa comissão parlamentar o que era a Ongoing. Poucos meses depois, trocava São Bento por um cargo na empresa que dizia desconhecer. Com a Newshold, detida por uma sociedade offshore no Panamá e ligada a capitais do regime angolano, a pergunta é outra: o Governo mandou calar na rádio e na agência de notícias pública uma voz crítica de Eduardo dos
Santos para agradar a Luanda, aparentemente interessada na RTP1?

No passado dia 18 de janeiro, a crónica habitual de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 criticou a emissão do programa televisivo “Prós e Contras” da RTP feita em direto a partir de Angola, com a participação do ministro Miguel Relvas, como sendo “um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti”. Rosa Mendes é um dos jornalistas portugueses que mais escreveu sobre a corrupção em Angola e na sua crónica não poupou o programa apresentado por Fátima Campos Ferreira.

“A nossa televisão foi a Luanda socializar com os apparatchiks do regime”, disse o antigo jornalista da delegação da agência Lusa em Paris, até que em agosto do ano passado, a delegação foi encerrada. “O encerramento da delegação de Paris foi expressamente pedido ao presidente da Lusa pelo ministro Miguel Relvas”, afirmou na altura Rosa Mendes ao semanário Expresso, referindo-se à reunião entre o ministro e Afonso Camões antes do anúncio da decisão.

A “operação de limpeza” de vozes críticas da corrupção em Angola na informação pública coincide com o aumento dos negócios em Portugal por parte das figuras mais chegadas ao círculo de Eduardo dos Santos. E o grupo Newshold tem sido dos mais ativos a fazer crescer a sua influência na estrutura acionista da comunicação social em Portugal, depois de adquirida a maioria do capital do semanário Sol. No último semestre do ano passado, adquiriu as posições do BPI e do Santander na Cofina e é hoje dona de 15% da empresa que detém o Correio da Manhã, Record, Sábado e Jornal de Negócios. A Newshold ainda detém uma participação minoritária no grupo Impresa (SIC, Expresso, Visão) e este mês foi associada ao comprador mistério que fez disparar num dia em 31% o valor das ações da empresa liderada por Pinto Balsemão, com quase meio milhão a serem transacionadas.

A Newshold é detida pela Pineview Overseas, uma empresa com sede no offshore do Panamá e com um capital social de dez mil dólares. Em Portugal, a empresa é representada pela advogada Ana Oliveira Bruno, que preside à sociedade proprietária do semanário Sol e representa outras sociedades offshore com interesses em imobiliário, sendo também administradora do resort Vale do Lobo, no Algarve. Os nomes mais associados pela imprensa ao capital da Newshold são o do porta-voz presidencial Aldemiro Vaz da Conceição e o do empresário António Maurício, vice-presidente da Fundação Eduardo dos Santos e presidente da Construtora do Tâmega. Numa das raras declarações públicas – numa conferência sobre investimento angolano em Portugal, realizada em Lisboa em novembro de 2010 – Ana Bruno afirmou que “o capital angolano tem de ser bem recebido e bem tratado”.

Com poucas semanas de intervalo, a saída do vice-presidente da RTP José Marquitos para administrador da Newshold e o “Reencontro” da RTP em Luanda com Miguel Relvas, políticos e empresários podem ser lidas como uma boa indicação acerca da identidade do potencial comprador do canal 1. Mas não só: como diz a Comissão de Trabalhadores da RTP, “ao escamotear a realidade angolana, o programa ‘Reencontro’ deu, afinal, execução e cumprimento às recomendações de um relatório que a abominação pública parecia ter relegado, merecidamente, para o caixote do lixo da História – o relatório Duque”, que advogava a informação filtrada “a bem da Nação”.

Fonte: ESQUERDA.NET

 

Portugueses & Angolanos

Resolvi sair esta noite e ir a um lugar renovador em Lisboa, o Arte & Manha, na Avenida Duque de Loulé. Há musica ao vivo, acontecem jams de todo o tipo, jaz, semba, bossa nova e etc.

O lugar estava cheio com todas mesas ocupadas e pedi a duas moças que estavam sozinhas numa mesa para me sentar na mesa delas. Depois abri o meu computador e vim para o Facebook. Naveguei uma hora na Net sem falar com elas mas, depois, acabamos por conversar.

Suponho devido à minha cor de pele, castanha, uma delas perguntou-me de onde sou. De Angola, nasci em Luanda, respondi-lhes. Já lá estive disse-me uma delas.

Que foste lá fazer, perguntei-lhe. Visitar um amigo português que vive lá e também fui ver se ficava e não consegui. Não conseguis-te? Mas todas as portuguesas que o queiram conseguem, disse-lhe.

O que fazes, qual é a tua profissão? Ela disse-me que é veterinária. E não conseguiste sendo veterinária? Uma veterinária não terá grande dificuldade para conseguir um bom trabalho em Angola. Há criadores de gado que necessitam de assistência técnica e também os serviços públicos de veterinária.

Ela explicou-se – não consegui, não porque tenham faltado oportunidades de trabalho. Não consegui porque não me sentiria bem a viver ignorando a pobreza do povo que vi e inserir-me num meio social privilegiado com todas as mordomias, iria sentir-me uma colona. Não posso fazer isso como tanta gente que vai lá só para ganhar dinheiro. Esse sentimento é mais forte do que a necessidade de dinheiro que tenho. Seria negar tudo o que sou, os valores com que me construí, prefiro ficar em Portugal e lutar aqui…

Fiquei surpreendido com a fala dela e reflecti silencioso durante alguns minutos. Estava frente a uma jovem portuguesa com muita dignidade, com princípios. Uma pessoa que nos faz acreditar que o futuro será melhor. Constatei que há em Portugal gente que não vê Angola só como uma árvore das patacas. Gente que vai ser importante para mudar a atitude da maioria dos portugueses que estão em Angola e que não se importam com a situação do povo angolano, só querem ganhar dinheiro e viver com mordomias que não têm em Portugal.

Depois saí do silêncio e disse-lhe – ouve, é de gente como tu que Angola necessita. Tu é que devias ter ficado lá. Dalguma forma e nalguma medida sempre ajudarias as angolanas e angolanos a sair dessa situação desumana que constataste. Vai e tenta conseguir ficar, tu darás a Angola algo em troca na medida justa do que vais receber. Talvez até deias mais do que vais receber. Gente com a tua sensibilidade tenho como minha irmã, tens um lugar na minha casa quando quiseres ir para Angola trabalhar.

Ela ficou a pensar no que lhe disse e depois despediu-se e partiu com a sua amiga.

Angola, depois do fim da ditadura de JES que paradigma político e económico democrático

Posted 21 Nov 2011 — by LuizAraujo
Category Destaque de Primeira Página

Luiz Araújo – Angola, sabemos o que não queremos mais. Não queremos mais nenhuma ditadura. José Eduardo dos Santos, o já longevo ditador Presidente do MPLA e da República, 33 anos no poder sem nunca ter sido eleito, é o angolano que melhor que todos nós sabe que não queremos mais a sua ditadura, que negou ser o regime que nos impõe a começar pela dominação que exerce sobre os membros do seu partido.

Desde a época colonial na sua fase salazarista, para não ir mais atras, vivemos sob ditadura.

Terminada a época colonial o país libertou-se ao tornar-se independente mas a liberdade para todas e todos os angolanos não sucedeu ao fim da ditadura colonialista.

O MPLA, partido no poder desde 1975 impôs ao país uma ditadura de partido-estado constitucional cuja efectividade e efeitos sobre a sociedade angolana,  -mesmo depois de 21 anos de transição para a “democracia” após o fim do regime constitucional de partido único – prevalecem, ainda que nalguma medida mínima mitigados pelas exigências da farsa “democrática” com que JES e um MPLA submetido ao seu mando opressivo e hegemónico que impõe a esse partido e ao país, Angola, cuja economia, entre outros aspectos, é principalmente marcada pelo império faraónico da sua família e pela pobreza da maioria das angolanas e angolanos.

Sabemos que não queremos a continuidade dessa ditadura política e económica. Sabemos que não queremos que se instale qualquer outra ditadura depois da de JES cair mas ainda nenhum de nós definiu o paradigma de regime político e económico, democrático, que devemos submeter à apreciação da nação. É dessa proposição/auscultação que resultará a definição/actualização da Vontade Geral das angolanas e angolanos e a sua acção de exigência para a concretização dessa vontade soberana.

Se a nação não é servida subordinando-se todas as vontades particulares à Vontade Geral (a começar pela do Presidente da República) nós, cidadãs e cidadãos, temos a legitimidade e o dever de agirmos da forma eficiente e bastante para impormos a Vontade Geral

EXIGE DIGNIDADE COM DIGNIDADE

 

As vitimas de desalojamento forçado no Irak e Bagdad vão agir – leiam a nota que divulgaram anunciando a acção – solidarize-se

Posted 04 Nov 2011 — by LuizAraujo
Category Destaque de Primeira Página, Direitos Humanos - Comunidades

vítima de demolição em Luanda

Conforme uma nota endereçada ao Sr. Elias Chinguli de Oliveira Director do gabinete do GPL com cópia para:

a 9″ Comissão da Assembleia Nacional de Angola - Comando Provincial de Luanda da PN - Rádio Ecclesia -TPA -TV Zimbo - SOS. Habitat - Mãos Livres - Amnistia Internacional, as vitimas de desalojamento forçado efectuado em 2009 e que destruiu os bairros do Irake e Bagdad no Município do Kilamba Kiaxi em Luanda anunciam que (citamos):

“enquanto que o GPL está ainda na procura da solução e que nós não temos um lugar certo para ficarmos na espera, vamos provisoriamente ocupar o campo Universitário afim de limitar o pior que está acontecendo no seio desta comunidade (falecimentos, várias doenças, crianças fora do sistema de ensino … ).

A Comunidade Iraque-Bagdad sairá deste campo logo que o GPL dará a solução concreta.”

Clik neste link para aceder a essa nota: https://docs.google.com/open?id=11hneJnKEln8wbAvs7r11ljaIyGEFfZGezmWu7N-LaPFxxYDvmy1i-uipotyp

Outros documentos relacionados: : https://docs.google.com/openid=1qnNHrJY9dr0J0Cqgcphu8A8n8zU7_9foi-57qZM FMGxNGSrzY0CFzbJb__N

Conforme ao primeiro documento cuja leitura sugerimos, as famílias que foram afectadas pelos desalojamentos forçados aguardam desde 2009, data das demolições, que a sua situação seja resolvida com a dignidade com que os administradores do estado devem tratar as cidadãs e cidadãos.

A SOS Habitat desde o momento em que esses desalojamentos foram realizados solidarizou-se com mais essas vítimas do Governo do MPLA.  Denunciamos ao país e à Comunidade Internacional essa violação dos direitos humanos cujos mandantes e executantes continuam impunes. As respectivas vitimas, além de carentes de justiça, continuam aguardando pela resolução da situação degradante em que foram mergulhadas.

APELAMOS A SOLIDARIEDADE DE TODAS E TODOS – APELAMOS PARA QUE VISITEM A COMUNIDADE NO LUGAR EM QUE, CONFORME NOS NOTIFICAM, SE VÃO INSTALAR EM PROTESTO CONTRA O TRATAMENTO QUE TÊM TIDO DAS AUTORIDADES DA PROVÍNCIA DE LUANDA.

Contacte a SOS Habitat para se informar melhor e solidarizar-se com essas vitimas de desalojamento forçado: sos.habitat.angola@gmail.com – movel  +244 912 507 343