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O Ditador José Eduardo dos Santos está a gerar uma guerra contra o povo angolano

Posted 21 Jan 2012 — by LuizAraujo
Category Artigos em Destaque, Política, Economia, Cultura & Sociedade

Luiz Araújo – esta é a exposição duma leitura pessoal.

É um dever de cidadão alertar as entidades que têm a competência e a capacidade para impedir a gestação da guerra no nosso país seja por quem for.

Temos esse dever, especialmente aumentado, ao constatar-mos que a guerra que está a ser gerada será contra o povo que, inevitavelmente, chegará ao combate físico no momento em que tomar a iniciativa se as entidade que o devem não assumirem as suas responsabilidades de preservação da paz, o que nunca resultará da subjugação do povo.

A guerra não é só o momento do combate fisico.

Esse momento em que as partes em combate tentam vencer e dominar o inimigo é antecedida por momentos de gestação da guerra e de preparação para o momento do combate fisico.

A defesa do Estado angolano contra quem quer que seja que perigue a paz é uma obrigação das Forças Armadas de Angola. É a sua competência principal e que se coloca acima da defesa de qualquer outro valor junto com a defesa do povo e da integridade territorial.

A paz em Angola está a ser perigada por quem ao mais alto nível dirige o Estado de forma ditatorial mascarada de “democrcia” e anulando com total impunidade o Estado de direito. A comunidade internacional também está a observar essa gestação da guerra no entanto mantem-se omissa, nalguma forma e medida cúmplice.

No entanto as forças de defesa do Estado não têm agido mesmo se estão colocadas face a uma condução do país predadora com que o clã do ditador José Eduardo dos Santos, seus agentes e clientes se enriquecem de formna faraónica em vez de se obrigarem a zelar pelo bem estar de todas e todos os angolanos. Essa não foi a finalidade de todas lutas da nação que exigiram ao povo angolano os maiores sacrificios dos seus filhos.

Estamos todas e todos ver a gestação da guerra em Angola se a coisa pública continuar a ser tratada dessa forma por quem ao mais alto nível dirige o país.

Se as forças de defesa do Estado não tomarem uma iniciativa para repor a ordem do Estado de direito o povo acabará por a tomar em qualquer momento. Nesse momento, teremos chegado ao combate fisico da guerra que o ditador há muito está gerar para se manter no poder e preservar o império financeiro do seu clã.

Não se confunda o que expresso nesta nota como sendo um desejo pessoal. Não o é. Não desejo a guerra. Este exercício é apenas a leitura objectiva da realidade tal e qual ela se coloca ao nosso olhar.

Só quem tem alguma conveniência nesse desenvolvimento é que não revela a percepção dessa gestação da guerra e não diz que, a prazo, é para a guerra contra o povo que objectivamente o ditador está a conduzir-se.

Ele, como outros ditadores o pensaram, supõe que vencerá essa guerra com os oficiais e soldados filhos do povo comandados contra o povo.

As nossas forças de defesa, do nosso Estado, podem e devem obstar a esse desenvolvimento da guerra contra o seu próprio povo que o ditador José Eduardo dos Santos está a gerar.

EXIGE DIGNIDADE

Portugueses & Angolanos

Resolvi sair esta noite e ir a um lugar renovador em Lisboa, o Arte & Manha, na Avenida Duque de Loulé. Há musica ao vivo, acontecem jams de todo o tipo, jaz, semba, bossa nova e etc.

O lugar estava cheio com todas mesas ocupadas e pedi a duas moças que estavam sozinhas numa mesa para me sentar na mesa delas. Depois abri o meu computador e vim para o Facebook. Naveguei uma hora na Net sem falar com elas mas, depois, acabamos por conversar.

Suponho devido à minha cor de pele, castanha, uma delas perguntou-me de onde sou. De Angola, nasci em Luanda, respondi-lhes. Já lá estive disse-me uma delas.

Que foste lá fazer, perguntei-lhe. Visitar um amigo português que vive lá e também fui ver se ficava e não consegui. Não conseguis-te? Mas todas as portuguesas que o queiram conseguem, disse-lhe.

O que fazes, qual é a tua profissão? Ela disse-me que é veterinária. E não conseguiste sendo veterinária? Uma veterinária não terá grande dificuldade para conseguir um bom trabalho em Angola. Há criadores de gado que necessitam de assistência técnica e também os serviços públicos de veterinária.

Ela explicou-se – não consegui, não porque tenham faltado oportunidades de trabalho. Não consegui porque não me sentiria bem a viver ignorando a pobreza do povo que vi e inserir-me num meio social privilegiado com todas as mordomias, iria sentir-me uma colona. Não posso fazer isso como tanta gente que vai lá só para ganhar dinheiro. Esse sentimento é mais forte do que a necessidade de dinheiro que tenho. Seria negar tudo o que sou, os valores com que me construí, prefiro ficar em Portugal e lutar aqui…

Fiquei surpreendido com a fala dela e reflecti silencioso durante alguns minutos. Estava frente a uma jovem portuguesa com muita dignidade, com princípios. Uma pessoa que nos faz acreditar que o futuro será melhor. Constatei que há em Portugal gente que não vê Angola só como uma árvore das patacas. Gente que vai ser importante para mudar a atitude da maioria dos portugueses que estão em Angola e que não se importam com a situação do povo angolano, só querem ganhar dinheiro e viver com mordomias que não têm em Portugal.

Depois saí do silêncio e disse-lhe – ouve, é de gente como tu que Angola necessita. Tu é que devias ter ficado lá. Dalguma forma e nalguma medida sempre ajudarias as angolanas e angolanos a sair dessa situação desumana que constataste. Vai e tenta conseguir ficar, tu darás a Angola algo em troca na medida justa do que vais receber. Talvez até deias mais do que vais receber. Gente com a tua sensibilidade tenho como minha irmã, tens um lugar na minha casa quando quiseres ir para Angola trabalhar.

Ela ficou a pensar no que lhe disse e depois despediu-se e partiu com a sua amiga.

O época final do regime de JES foi iniciada, que formato e desenvolvimento terá esse fim? Que escolhas fará e ou JES já fez?

Luiz Araújo – Independentemente da forma como a percebem e vêm tratando a situação, as ocorrências políticas dos últimos meses registadas em Angola, detenção de manifestantes e os julgamentos, a exigência pelas cidadãs e cidadãos da saída do PR JES, entre outros factos, estão a mexer no interior do regime de JES/MPLA e vão ter mais incidências.

Novos e mais fortes protestos vão ter lugar e a que o regime se oporá de forma mais enérgica.

No interior do regime as cabeças estão certamente a trabalhar soluções. A avaliação da retirada de JES, mesmo contra a sua vontade, já deve estar a ser feita.

A preservação do poder e de posses – que ainda não são propriedade socialmente reconhecida mesmo se “legalizada” – vão ser determinantes do modo como vai ser conduzido o período final do consulado de JES

O poder absoluto de JES está a deteriorar-se, a exigência aberta da sua retirada do poder pela juventude foi inaugurada e tende a alastrar-se a toda a sociedade.

Este ano tivemos em África exemplos bastantes de como essa posição/solução, para não perderem tudo, pode ser adoptada por aqueles que são os principais defensores do detentor do poder.

Quando a exigência de mudança tiver alcançado abrangência determinante essa hipótese de fim de reinado é a que em meu entender tem maiores probabilidades de se concretizar.

Esse desenvolvimento previsível do político angolano só será contrariado se de modo sério a governação se orientar na direcção da realização das exigências políticas, económicas e sociais que há muito lhe vêm sendo colocadas.

Não temos sinais de que JES tenha a sensibilidade e o espaço de manobra suficientes para progredir nessa direcção mesmo se essa for a sua opção. Essa seria a forma de anular a concretização do momento em que os seus próprios correligionários se verão obrigados a deixa-lo cair atribuindo-lhe toda a responsabilidade pelas causas da situação que se agrava e do descontentamento popular crescente que se está a instalar em Angola.

Angola. Com apelos à não violência pelo meio o povo gritou na rua: “queremos Zé Du depois do Kadafi” – “polícia do MPLA – polícia do Zé Du” – “o cão já comeu polícia está com fome”

O medo que sustenta o regime está a desfazer-se e as pessoas dizem na rua o que pensam do regime e do seu chefe. E do meio do clamor do povo vem o apelo à não violência, bom exemplo.